

ESPAÇO ATELIÊ TERAPEUTICO
ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO PARA
ESQUIZOFRENIA
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O tratamento para quadros de esquizofrenia do Nappe acontece no espaço Ateliê Terapêutico, que recebe o paciente de segunda à sexta-fera, das 07:30 às 13:30, para atividades terapêuticas propostas.
Para além das consultas psiquiátricas mensais, o espaço conta sempre com uma equipe médica presente, que também atua em casos de intercorrência.
O acompanhamento pode ser feito por diversos planos de saúde (Amil, Bradesco, Bacen, Cassi, Capesesp, Fusex, Fisco, Luminar, Mediservice, Postal Saúde, Petrobrás, Saúde Recife, Sulamérica, Sassepe, Stellantis, Saúde Caixa e TRT-6).
CONHEÇA AS PROPOSTAS TERAPÊUTICAS
DO TRATAMENTO
Oficinas terapêuticas
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Arteterapia: permite expressar emoções, experiências e percepções por meio de imagens, cores e formas, ampliando as possibilidades de comunicação para além das palavras.
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Musicoterapia: utiliza a escuta, o ritmo e a produção musical como forma de expressão e de interação, favorecendo o contato consigo mesmo e com o grupo.
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Biodança: através do movimento, da música e do encontro com o outro, estimula a expressão corporal, a afetividade e a construção de vínculos.
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Yoga: trabalha a consciência corporal, a respiração e a concentração, contribuindo para a percepção das próprias sensações e para o bem-estar.
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Artesanato: envolve planejamento, atenção, coordenação e a construção de algo do início ao fim, o que favorece a autonomia e o reconhecimento das próprias capacidades.
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Colagem: a partir da escolha e da combinação de imagens, palavras e materiais, o paciente pode representar ideias, desejos e aspectos de sua história, exercitando a criatividade, a tomada de decisões e a organização do pensamento.
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Teatro: possibilita experimentar diferentes papéis, formas de se expressar e de se relacionar, estimulando a comunicação, a criatividade e a interação em grupo.
O grupo terapêutico
Conduzido semanalmente pelo psicólogo do espaço, ele é um espaço de escuta e de troca, em que cada pessoa pode falar sobre o que vive, ouvir outras experiências e perceber que suas dificuldades podem ser compartilhadas em um ambiente de acolhimento e segurança.
Nesse convívio, aspectos como expressar sentimentos, respeitar o tempo do outro, lidar com diferenças e construir vínculos são vivenciados e trabalhados com o acompanhamento da equipe.
Festividades
Além das oficinas, o Ateliê também celebra momentos importantes do calendário, como os aniversariantes do mês, o Carnaval e o São João. Esses eventos fortalecem a convivência e o sentimento de pertencimento, e permitem que o paciente participe de experiências sociais e culturais em um ambiente acolhedor, onde se sente seguro para se expressar e interagir.
Início no tratamento
O acompanhamento começa com um primeiro atendimento no Nappe, em que são realizadas a consulta psiquiátrica e uma triagem psicológica. A partir dessa avaliação, a equipe indica a frequência semanal de participação mais adequada para cada paciente. Nesse momento o Nappe conta com vagas para o(a)s psiquiatras Dra. Manuela Wanderley, Victor Godoy, Gabriela Costa e Daniell Lafayette, que também acolhem quadros de esquizofrenia.
Na esquizofrenia, algumas das dificuldades que mais impactam a vida do paciente não estão nos momentos de crise, mas no cotidiano: o afastamento das pessoas, a dificuldade em iniciar e manter uma conversa, a perda de interesse por atividades que antes faziam sentido, a dificuldade em organizar a rotina e a redução da autonomia. Essas dificuldades, muitas vezes, permanecem mesmo quando os sintomas mais intensos já estão controlados.
No Ateliê Terapêutico do Nappe, o cuidado é pensado justamente para oferecer espaços em que essas habilidades possam ser exercitadas de forma gradual, segura e acolhedora. A rotina de participação, a convivência com outros pacientes e o vínculo com a equipe fazem parte do próprio processo terapêutico.
CONHEÇA MAIS
SOBRE A ESQUIZOFRENIA
O que é a esquizofrenia e como identificar?
A esquizofrenia é um transtorno mental que afeta a forma como a pessoa percebe a realidade, organiza o pensamento, vivencia as emoções e se relaciona com os outros. Costuma se manifestar pela primeira vez no fim da adolescência ou no início da vida adulta e pode produzir impactos importantes nos estudos, no trabalho, nas relações familiares e na autonomia do dia a dia.
Ao contrário do que muitas vezes se imagina, a esquizofrenia não se resume aos momentos de crise, nem corresponde à ideia de "dupla personalidade". Seus sintomas costumam ser compreendidos em três grupos, que podem aparecer em diferentes intensidades e combinações em cada paciente:
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Sintomas positivos: são os mais conhecidos. Incluem delírios, que são crenças firmes que não se sustentam na realidade compartilhada, como a convicção de estar sendo perseguido ou observado; alucinações, como ouvir vozes que outras pessoas não ouvem; e alterações na organização do pensamento e da fala.
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Sintomas negativos: referem-se à redução de aspectos que antes faziam parte da vida da pessoa, como diminuição da expressão emocional, perda de interesse e de iniciativa, empobrecimento da fala, afastamento das relações e dificuldade em manter cuidados básicos com a própria rotina.
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Sintomas cognitivos: dificuldades de atenção, memória, planejamento e tomada de decisões, que interferem diretamente na capacidade de aprender, trabalhar e organizar o cotidiano.
Por se manifestarem de forma mais silenciosa, os sintomas negativos e cognitivos muitas vezes são confundidos com desinteresse, preguiça ou "fase", o que pode atrasar a busca por ajuda.
Em muitos casos, antes do primeiro episódio psicótico, é possível perceber mudanças graduais no comportamento, como:
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isolamento progressivo;
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queda no rendimento escolar ou profissional;
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alterações no sono;
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desconfiança aumentada;
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comportamentos e falas pouco habituais.
Nem sempre essas mudanças indicam esquizofrenia, mas merecem ser avaliadas por um profissional, já que a identificação precoce pode fazer diferença na evolução do quadro.
Qual a diferença da esquizofrenia e outros adoecimentos cujos sintomas podem se assemelhar?
Sintomas como delírios, alucinações e alterações no comportamento não são exclusivos da esquizofrenia. Eles podem aparecer em diferentes quadros de saúde mental e também em algumas condições clínicas, o que torna a avaliação cuidadosa uma etapa fundamental do tratamento.
Entre os quadros que podem apresentar sintomas semelhantes, estão:
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Transtorno bipolar: sintomas psicóticos podem surgir durante episódios intensos de mania ou de depressão, geralmente associados à alteração do humor.
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Depressão grave: pode vir acompanhada de delírios, normalmente relacionados a culpa, ruína ou doença.
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Transtorno esquizoafetivo: reúne características da esquizofrenia e dos transtornos do humor, e sua distinção depende da observação de como esses sintomas se apresentam e se relacionam ao longo do tempo.
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Uso de álcool e outras substâncias: pode provocar quadros psicóticos durante a intoxicação, na abstinência ou em decorrência do uso prolongado. Em algumas situações, o uso de substâncias pode ainda antecipar ou agravar o surgimento de uma esquizofrenia em pessoas com vulnerabilidade para o transtorno.
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Condições clínicas, neurológicas e efeitos de medicamentos: também podem produzir sintomas semelhantes e precisam ser considerados e descartados durante a avaliação.
Por isso, o diagnóstico não é feito a partir de um sintoma isolado. Ele depende de uma avaliação psiquiátrica que considere a história de vida do paciente, o momento em que os sintomas surgiram, sua duração, a forma como evoluíram e o contexto em que aparecem. Compreender corretamente o quadro permite que cada pessoa receba o cuidado adequado à sua realidade.
O que causa ou agrava a esquizofrenia?
Não existe uma causa única para a esquizofrenia. O que se compreende hoje é que o transtorno resulta da combinação de diferentes fatores, que interagem de maneira particular na história de cada pessoa.
Entre eles, há uma vulnerabilidade biológica, que envolve fatores genéticos e aspectos do desenvolvimento do cérebro. Ter familiares com o transtorno pode aumentar essa vulnerabilidade, mas não determina, por si só, que a pessoa irá desenvolvê-lo.
Fatores ambientais e de vida também participam desse processo, como situações de estresse intenso, experiências adversas, rupturas importantes e o uso de substâncias.
Ao longo do tratamento, alguns fatores também podem favorecer o agravamento do quadro ou o surgimento de novas crises:
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interrupção da medicação por conta própria, um dos fatores mais frequentes;
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uso de álcool e outras substâncias;
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alterações importantes no sono;
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períodos de estresse;
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conflitos familiares intensos;
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isolamento social.
Compreender esses fatores não significa buscar culpados. A esquizofrenia não é causada por falhas de criação nem por fraqueza de caráter. Identificar o que pode contribuir para o agravamento dos sintomas permite que o paciente, a família e a equipe construam, em conjunto, estratégias para proteger a estabilidade e reconhecer precocemente os sinais de uma possível crise.
Existe cura para a esquizofrenia?
A esquizofrenia é considerada um transtorno crônico, o que significa que, na maior parte dos casos, ela exige um acompanhamento contínuo ao longo da vida. Isso, entretanto, não deve ser entendido como ausência de possibilidades terapêuticas.
Com tratamento adequado e constante, muitas pessoas alcançam períodos prolongados de estabilidade, com redução importante dos sintomas e das crises. A evolução varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como o momento em que o tratamento foi iniciado, a continuidade do acompanhamento, a presença de outros quadros associados e o suporte disponível na rede de apoio.
Por isso, mais do que pensar em cura, o tratamento da esquizofrenia busca a recuperação no sentido mais amplo: diminuir o sofrimento, prevenir recaídas e criar condições para que o paciente possa retomar, na medida de suas possibilidades, sua rotina, seus vínculos, seus interesses e seus projetos.
Esse caminho é construído ao longo do tempo e de forma individualizada. Cada conquista, como voltar a participar de uma atividade, retomar um vínculo ou ganhar mais autonomia em uma tarefa do cotidiano, faz parte do processo terapêutico e merece ser reconhecida.
ORIENTAÇÕES PARA A
FAMÍLIA E REDE DE APOIO
Como a família pode ajudar?
A família ocupa um lugar importante no cuidado da pessoa com esquizofrenia. Muitas vezes, são os familiares que percebem as primeiras mudanças no comportamento, que acompanham o dia a dia do tratamento e que identificam sinais de que algo não vai bem antes mesmo que o próprio paciente consiga reconhecê-los.
Ao mesmo tempo, conviver com o transtorno pode gerar dúvidas, medo, cansaço e sentimentos de impotência. Como reagir diante de um delírio? O que fazer quando o paciente recusa a medicação? Como incentivar sem pressionar? Essas são questões frequentes, e não precisam ser enfrentadas sem orientação.
Algumas atitudes podem ajudar no dia a dia:
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Diante de delírios ou alucinações, evite confrontar diretamente aquilo que a pessoa está vivendo, porque isso costuma aumentar a angústia e o afastamento. Ao mesmo tempo, você não precisa concordar com conteúdos que não correspondem à realidade. Acolher o sofrimento e mostrar que você está presente tende a ser um caminho mais seguro.
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Na rotina da medicação, você pode ajudar a organizar horários fixos, associados a um hábito do dia, como o café da manhã, e usar uma caixa organizadora semanal. Se houver recusa, evite insistir de forma repetida ou colocar o remédio escondido na comida. Pergunte o que está incomodando, como efeitos colaterais, medo ou desconfiança, e leve essa informação ao psiquiatra.
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No dia a dia da casa, convide a pessoa para participar de tarefas simples, como preparar uma refeição, fazer uma compra ou cuidar de uma planta, e de momentos de convivência, como assistir a um filme juntos. Respeite o ritmo dela, divida as tarefas em pequenas etapas e reconheça cada participação. Isso ajuda a fortalecer a autonomia e o vínculo, sem transformar a convivência em cobrança.
Ainda assim, a participação dos familiares não significa retirar a autonomia do paciente ou transformá-los em únicos responsáveis pelo tratamento. O cuidado continua sendo construído junto ao paciente, respeitando sua individualidade e sua capacidade de participar das decisões sobre a própria vida.
Quem cuida também precisa de cuidado
Acompanhar uma pessoa com esquizofrenia pode exigir muito de quem está próximo. Com o tempo, é comum que o familiar passe a organizar a própria rotina em torno do cuidado e deixe de lado o trabalho, o descanso, as amizades e os próprios interesses. Muitas vezes, isso acontece de forma gradual, sem que ele perceba o quanto está sobrecarregado.
Essa sobrecarga pode se manifestar de diferentes maneiras: cansaço constante, irritabilidade, alterações no sono, ansiedade, tristeza, culpa por não conseguir fazer mais e sensação de estar sozinho diante das dificuldades. Sem cuidado, esse desgaste pode evoluir para um adoecimento do próprio familiar.
Cuidar de si, nesse contexto, não é egoísmo nem abandono. É uma condição para que o cuidado com o outro possa continuar de forma saudável. Algumas atitudes ajudam a proteger quem cuida:
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Dividir as responsabilidades entre outros familiares ou pessoas próximas, para que o cuidado não fique concentrado em uma única pessoa.
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Preservar momentos próprios, mesmo que curtos, para descanso, lazer e convivência fora do contexto do transtorno.
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Buscar informação sobre a esquizofrenia, o que ajuda a compreender comportamentos que antes pareciam pessoais ou intencionais e diminui culpa e conflitos.
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Procurar apoio psicológico quando o cansaço, a tristeza ou a ansiedade começarem a interferir na própria vida.
Reconhecer os próprios limites também faz parte do cuidado. Nem tudo depende do familiar, e não é necessário dar conta de tudo sozinho.







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