

ESPAÇO BEM-ESTAR
ACOMPANHAMENTO
DEPENDÊNCIA QUÍMICA
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No acompanhamento, o paciente comparece entre segunda e sexta, nos dias e turnos combinados com sua psicóloga de referência, para participar das terapias voltadas ao cuidado com a saúde mental e emocional, diretamente ligadas ao quadro de uso abusivo de substâncias.
Em um dos dias de tratamento acontece o grupo terapêutico específico para a dependência, sempre com as mesmas pessoas e psicóloga facilitadora, que também acolhe o paciente individualmente quando necessário. A consulta psiquiátrica acontece mensalmente.
O acompanhamento pode ser feito por diversos planos de saúde (Amil, Bradesco, Bacen, Cassi, Capesesp, Fusex, Fisco, Luminar, Mediservice, Postal Saúde, Petrobrás, Saúde Recife, Sulamérica, Sassepe, Stellantis, Saúde Caixa e TRT-6).
CONHEÇA AS PROPOSTAS TERAPÊUTICAS
DO TRATAMENTO
Como os grupos e as oficinas ajudam na recuperação?
A dependência química costuma ocupar um espaço cada vez maior na vida da pessoa. Com o tempo, a rotina, os vínculos, os interesses e até a forma de lidar com as emoções passam a se organizar em torno do uso. Por isso, o tratamento precisa ir além da interrupção do consumo e ajudar o paciente a reconstruir outras formas de viver.
No grupo terapêutico, o paciente encontra um espaço de escuta e de troca com outras pessoas que vivem desafios semelhantes. Falar sobre a fissura, as recaídas, a culpa, a vergonha e as perdas que o uso provocou, e ouvir como outras pessoas lidam com essas experiências, ajuda a diminuir o isolamento e a ampliar a compreensão sobre a própria história.
As oficinas terapêuticas, como arteterapia, musicoterapia, biodanza, yoga, meditação, bioenergética, teatro e auriculoterapia, oferecem outras formas de expressão e de cuidado com o corpo e as emoções. Elas contribuem para:
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reconhecer emoções e situações que funcionam como gatilho para o uso;
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desenvolver novas formas de lidar com a ansiedade, a frustração e o tédio;
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reconstruir uma rotina com estrutura e sentido;
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criar vínculos fora do contexto de uso;
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reencontrar interesses e possibilidades que foram deixados de lado.
Muitas vezes, a substância passou a ser a principal forma de aliviar um sofrimento. O processo terapêutico busca justamente compreender esse sofrimento e construir, junto com o paciente, outros caminhos para lidar com ele.
O que é a dependência química e como identificar?
A Classificação Internacional de Doenças (CID) reconhece os transtornos relacionados ao uso de substâncias como condições de saúde que exigem avaliação e tratamento. A dependência se caracteriza por um conjunto de alterações físicas, psicológicas e comportamentais em que o uso da substância passa a ter prioridade sobre outras atividades e compromissos que antes eram importantes.
Alguns sinais podem indicar um quadro de dependência:
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desejo intenso ou sensação de compulsão para usar a substância;
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dificuldade em controlar o início, a quantidade ou a frequência do uso;
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necessidade de quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito (tolerância);
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sintomas físicos ou emocionais quando o uso é reduzido ou interrompido (abstinência);
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abandono progressivo de atividades, relações e interesses;
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manutenção do uso mesmo diante de prejuízos claros à saúde, ao trabalho, às finanças ou às relações.
Além desses sinais, familiares e pessoas próximas costumam perceber mudanças de comportamento, como afastamento, irritabilidade, mentiras sobre o uso, alterações no sono e no apetite, sumiço de dinheiro ou objetos e queda no rendimento nos estudos ou no trabalho.
A presença de um ou outro desses sinais não define, por si só, um diagnóstico. A avaliação deve ser feita por profissionais, considerando a história de vida do paciente, o padrão de uso e os impactos que ele produz.
Uso, abuso e dependência: qual a diferença?
Nem todo uso de substância caracteriza uma dependência, mas isso não significa que o uso esteja livre de riscos. De forma geral, é possível compreender essa relação em três momentos:
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Uso: o consumo ocasional, que ainda não provoca prejuízos evidentes, mas que já envolve riscos, especialmente no caso de substâncias ilícitas.
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Uso nocivo (ou abuso): quando o consumo passa a causar danos à saúde física ou mental, mesmo que a pessoa ainda consiga manter algum controle sobre ele.
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Dependência: quando o controle sobre o uso é comprometido e a substância passa a ocupar um lugar central na vida da pessoa, com sinais como fissura, tolerância e abstinência.
Essa passagem nem sempre é percebida por quem está vivendo. Muitas vezes, a pessoa acredita que “consegue parar quando quiser” mesmo quando o uso já está produzindo prejuízos importantes. Por isso, buscar uma avaliação ainda nos primeiros sinais pode fazer diferença na evolução do quadro.
Início no tratamento
Para iniciar o tratamento, é preciso passar por uma triagem psicológica e consulta psiquiátrica no Nappe, também pelos planos de saúde aceitos, onde avaliamos o quadro e podemos seguir com a solicitação ao convênio. No botão abaixo você pode já agendar com um(a) de nosso(a)s psiquiatras.
DIFERENTES SUBSTÂNCIAS
NA DEPENDÊNCIA
Cocaína e Crack
A cocaína e o crack são produzidos a partir da mesma substância, extraída da folha da coca, e atuam como estimulantes do sistema nervoso central. A diferença está na forma de apresentação e de uso, que modifica a velocidade, a intensidade e a duração dos efeitos.
A cocaína em pó costuma ser aspirada e produz sensação de euforia, energia, autoconfiança e redução do sono e do apetite.
Com o tempo, o uso pode levar a ansiedade intensa, irritabilidade, desconfiança, alterações do sono e prejuízos importantes nas relações, no trabalho e nas finanças.
O crack é a forma fumada da cocaína. Ao ser inalado, chega ao cérebro em poucos segundos, produzindo um efeito muito intenso e de curta duração. Essa combinação favorece o uso repetido em curtos intervalos e uma fissura intensa, o que faz com que a dependência se instale de forma mais rápida e com consequências mais graves.
Em muitos casos, o uso de cocaína em pó antecede o uso de crack. A busca por um efeito mais intenso, o custo mais baixo e a facilidade de acesso podem levar a essa transição, que costuma acelerar o comprometimento da saúde e da vida social.
Entre os riscos associados ao uso de cocaína e crack, estão:
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complicações cardiovasculares, como arritmias, infarto e AVC;
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emagrecimento, desnutrição e descuido com a saúde;
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quadros de ansiedade, depressão e sintomas psicóticos, como desconfiança intensa e sensação de perseguição;
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exposição a situações de risco e violência;
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ruptura de vínculos familiares, perda do trabalho e endividamento.
A fissura e a intensidade do sofrimento envolvidas nesse quadro reforçam a importância de um acompanhamento próximo, que olhe não apenas para o uso, mas também para tudo aquilo que foi afetado por ele.
Maconha
A maconha é uma das substâncias mais utilizadas e, também, uma das mais cercadas pela ideia de que “não vicia” ou “não faz mal”. Essa percepção pode atrasar o reconhecimento de que o uso deixou de ser ocasional e passou a trazer prejuízos.
A dependência de maconha existe e se manifesta de maneira semelhante à de outras substâncias: uso cada vez mais frequente, dificuldade em reduzir ou interromper, prioridade do consumo sobre outras atividades e sintomas de abstinência, como irritabilidade, ansiedade, insônia e diminuição do apetite.
Alguns aspectos merecem atenção especial:
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Adolescência e início da vida adulta: como o cérebro ainda está em desenvolvimento, o uso nesse período está associado a um risco maior de dependência e de prejuízos na atenção, na memória e na motivação.
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Ansiedade e humor: o uso pode intensificar quadros de ansiedade, provocar crises de pânico e dificultar o tratamento de outros transtornos.
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Sintomas psicóticos: em pessoas com vulnerabilidade, a maconha pode desencadear ou antecipar quadros psicóticos, como a esquizofrenia.
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Prejuízos no cotidiano: desinteresse, queda no rendimento escolar ou profissional e afastamento de relações e projetos.
Muitas vezes, a maconha é utilizada como forma de aliviar a ansiedade, a insônia ou o sofrimento emocional. Compreender essa relação é parte importante do tratamento.
E o álcool?
O álcool também é uma substância capaz de causar dependência. Por ser legal e socialmente aceito, porém, seus prejuízos costumam ser percebidos mais tarde. A bebida está presente em celebrações, encontros de família, momentos de lazer e até em situações de trabalho, e muitas vezes beber é visto como parte natural da convivência. Nesse contexto, quem bebe em excesso pode ter o comportamento minimizado ou até incentivado, enquanto quem decide reduzir ou parar pode ser questionado pelas pessoas ao redor.
Essa normalização dificulta reconhecer o momento em que o consumo deixa de ser ocasional. O uso frequente para relaxar, dormir ou lidar com situações difíceis, a dificuldade de controlar a quantidade e a continuidade do consumo mesmo diante de conflitos e prejuízos são sinais que merecem atenção, ainda que o hábito pareça comum para quem está em volta. Você pode saber mais na página de tratamento para alcoolismo.
Por que é tão difícil parar?
Uma das dúvidas mais frequentes entre pacientes e familiares é por que, mesmo diante de tantos prejuízos, parar de usar parece tão difícil. A resposta envolve diferentes fatores.
O uso repetido de substâncias altera os circuitos cerebrais ligados ao prazer, à motivação e ao controle dos impulsos. Com isso, surge a fissura, um desejo intenso de usar que pode ser despertado por pessoas, lugares, emoções ou situações associadas ao consumo, os chamados gatilhos.
Além disso, a substância muitas vezes passou a cumprir uma função na vida da pessoa: aliviar a ansiedade, a tristeza, a solidão, o tédio ou lembranças difíceis. Interromper o uso sem construir outras formas de lidar com esse sofrimento tende a deixar a pessoa ainda mais vulnerável.
Por isso, a recaída não deve ser entendida como fracasso do tratamento ou falta de compromisso. Ela pode fazer parte do processo de recuperação e, quando acompanhada pela equipe, se torna uma oportunidade de compreender o que a provocou e de fortalecer novas estratégias de cuidado.
OUTRAS ORIENTAÇÕES
SOBRE O ADOECIMENTO
Dependência química e outros quadros
É comum que a dependência química esteja associada a outros quadros, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e quadros psicóticos. Essa relação pode acontecer em diferentes direções: em alguns casos, a substância é utilizada como tentativa de aliviar um sofrimento que já existia; em outros, o próprio uso contribui para o surgimento ou o agravamento de novos sintomas.
Também é frequente que os prejuízos provocados pelo uso, como conflitos familiares, perdas profissionais, dívidas e rompimentos, produzam novas cargas de sofrimento, que por sua vez podem favorecer a continuidade do consumo.
Por isso, o tratamento precisa considerar o paciente de forma integral. Tratar apenas o uso, sem olhar para os outros quadros e para a história de vida, tende a deixar sem cuidado aspectos que sustentam o ciclo da dependência. A avaliação psiquiátrica e psicológica permite identificar essas relações e construir um projeto terapêutico adequado a cada pessoa.
Ambulatório, Hospital-dia ou internação: O que é indicado?
O tratamento da dependência química pode acontecer em diferentes modalidades, e a escolha depende da avaliação de cada caso:
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Acompanhamento ambulatorial: consultas periódicas com psiquiatra e psicólogo. Pode ser suficiente para quadros mais leves.
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Hospital-Dia: cuidado intensivo e integrado, em que o paciente frequenta o espaço terapêutico durante o dia e retorna para casa. Permite um acompanhamento mais próximo sem afastar a pessoa de sua família, de sua rotina e de seus vínculos.
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Internação: pode ser indicada em situações específicas, como risco à vida, complicações clínicas importantes ou quando não é possível garantir a segurança do paciente fora de um ambiente hospitalar.
O Nappe atua no regime de Hospital-Dia. Nesse modelo, o paciente comparece ao espaço para passar o dia em atividades terapêuticas e tem liberdade quanto à vinda e à saída. Um dos aspectos importantes desse formato é que o paciente segue em contato com sua vida cotidiana, onde estão também os desafios que precisarão ser enfrentados ao longo da recuperação.
No primeiro atendimento, a equipe avalia o momento do paciente e indica a modalidade mais adequada para o seu caso.
Como a família pode ajudar?
A dependência química afeta não apenas quem faz uso da substância, mas também as pessoas ao seu redor. É comum que familiares vivenciem medo, raiva, culpa, cansaço e sensação de impotência, e que a convivência seja marcada por conflitos, desconfiança e promessas não cumpridas.
A família pode ter um papel importante no processo de recuperação. Algumas atitudes costumam ajudar:
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Conversar em momentos de calma, evitando acusações, ameaças ou discussões durante o uso ou logo após.
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Expressar preocupação a partir do que se observa, falando de comportamentos e consequências concretas, e não de rótulos.
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Estabelecer limites claros, evitando atitudes que, mesmo sem intenção, acabam facilitando a continuidade do uso, como assumir dívidas ou encobrir consequências.
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Incentivar a busca por ajuda profissional, sem transformar o tratamento em punição.
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Reconhecer os avanços, mesmo os pequenos, e compreender que recaídas podem fazer parte do processo.
Ao mesmo tempo, a participação da família não significa assumir sozinha a responsabilidade pelo tratamento. O cuidado continua sendo construído junto ao paciente, respeitando sua autonomia e sua participação nas decisões sobre a própria vida.
Também é importante lembrar que quem cuida precisa de cuidado. Muitas famílias se organizam por anos em torno da dependência de um de seus membros, o que pode gerar adoecimento. Buscar apoio, dividir responsabilidades e cuidar da própria saúde emocional são atitudes que protegem a família e o próprio tratamento.






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