

ESPAÇO BEM ESTAR
ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NA
DEPENDÊNCIA ALCOÓLICA
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No Hospital-Dia o paciente comparece de 1 a 5 vezes na semana, de acordo com o projeto terapêutico, realizando diversas propostas terapêuticas que buscam proporcionar uma melhor compreensão, mudanças e manejo quanto aos pontos que levam ao quadro de adoecimento.
Além das consultas psiquiátricas mensais, o paciente conta com uma psicóloga de referência, que além de conduzir o grupo terapêutico específico para quadros de dependência do uso abusivo de álcool, também acolhe individualmente quando necessário.
O acompanhamento pode ser feito por diversos planos de saúde (Amil, Bradesco, Bacen, Cassi, Capesesp, Fusex, Fisco, Luminar, Mediservice, Postal Saúde, Petrobrás, Saúde Recife, Sulamérica, Sassepe, Stellantis, Saúde Caixa e TRT-6).
CUIDADO DO NAPPE NA
DEPENDÊNCIA ALCOÓLICA
Não é "só parar?"
O uso abusivo de álcool na maioria dos casos não se trata apenas em escolher entre beber ou não beber. A Organização Mundial da Saúde reconhece os transtornos relacionados ao uso de álcool como condições de saúde, e a CID-11 inclui, entre os transtornos decorrentes do uso de álcool, o padrão prejudicial de uso e a dependência.
Nesses quadros, podem existir dificuldades para controlar o consumo, uma importância cada vez maior dada à bebida e a continuidade do uso mesmo diante de prejuízos.
Compreender isso é importante porque o sofrimento relacionado ao álcool não deve ser interpretado como uma falha de caráter, falta de força de vontade ou como um reflexo do valor daquela pessoa. Ao mesmo tempo, reconhecer o alcoolismo como um adoecimento não significa retirar do paciente sua autonomia ou responsabilidade, mas compreender que existem fatores que precisam ser cuidados e que, muitas vezes, não conseguem ser enfrentados apenas pela decisão de parar de beber.
É justamente por isso que buscar tratamento pode ser necessário. O tratamento não representa uma punição, uma derrota ou a confirmação de que a pessoa não foi capaz de conduzir a própria vida. Pode representar um momento de reconhecer uma dificuldade que se tornou maior do que aquilo que estava sendo possível administrar sozinho e de permitir-se receber cuidado.
Assim como acontece diante de outros adoecimentos e de diferentes impasses que podem surgir ao longo da vida, procurar ajuda pode ser simplesmente uma forma de cuidar de si. Não é necessário esperar que todas as relações estejam comprometidas, que os prejuízos se acumulem ou que a situação chegue ao limite. O tratamento pode ser o começo de um processo para compreender o que está acontecendo, enfrentar suas consequências e construir, com acompanhamento, novas possibilidades para a própria vida.
Como funciona a atuação integrada no Nappe para quadros de uso problemático do álcool?
No acompanhamento no espaço Bem-Estar do Nappe, além das consultas psiquiátricas, o paciente comparece, nos dias e turnos combinados, que vão entre segunda e sexta, das 08h às 16h, para participar do grupo terapêutico específico dado seu contexto e quadro, que é facilitado por uma psicóloga de referência, e das demais oficinas terapêuticas voltadas ao cuidado com a saúde mental e emocional, que buscam a compreensão, manejo e fortalecimento dos pontos relacionados ao adoecimento.
O processo terapêutico no tratamento do alcoolismo
Começar um tratamento para o alcoolismo é dar início a um processo que vai além da questão de beber ou não beber. É necessário compreender a relação que cada pessoa construiu com o álcool, as situações em que o consumo costuma acontecer, os sentimentos associados a ele e os prejuízos que foram se acumulando ao longo do tempo.
Por isso, o processo terapêutico é construído de maneira individualizada e pode envolver diferentes dimensões do cuidado. A história de vida, os relacionamentos, a rotina, a saúde física e mental, os hábitos, as situações que favorecem o consumo e os recursos disponíveis para enfrentar momentos de dificuldade são aspectos que podem ser trabalhados ao longo do acompanhamento.
A mudança também não acontece necessariamente de forma linear. Podem existir períodos de maior estabilidade e momentos em que o paciente encontre dificuldades para sustentar aquilo que havia construído. Em alguns casos, pode ocorrer uma recaída, entendida como um retorno ao consumo depois de um período de mudança ou abstinência.
Esse acontecimento precisa ser avaliado dentro do processo terapêutico, buscando compreender o que aconteceu, quais situações contribuíram para o retorno ao uso e quais estratégias podem ser revistas ou fortalecidas. Uma recaída não apaga automaticamente o trabalho realizado anteriormente, mas pode indicar a necessidade de novos cuidados e ajustes no tratamento.
O tratamento do alcoolismo, portanto, é uma construção de longo prazo. A recuperação envolve não apenas lidar com o consumo, mas também reconstruir aspectos da vida que foram afetados pelo álcool e desenvolver outras formas de enfrentar emoções, dificuldades, relações e situações de sofrimento.
No Nappe, entendemos que buscar ajuda é também criar a possibilidade de olhar para a própria história de maneira diferente. A partir do acompanhamento psiquiátrico e psicológico, dos grupos terapêuticos, das oficinas e da convivência no Hospital-Dia, buscamos construir junto ao paciente um processo de cuidado que considere suas dificuldades, seus vínculos, sua história e suas possibilidades de mudança.
Como o grupo terapêutico voltado para o alcoolismo pode ajudar?
O alcoolismo pode produzir mudanças importantes na maneira como o paciente se relaciona com as pessoas ao seu redor. Ao longo do tempo, podem surgir conflitos, afastamentos, perda de confiança e dificuldades de convivência. Em alguns casos, o paciente passa a ser visto principalmente a partir de seu consumo de álcool, e muitas das relações sociais ficam marcadas por cobranças, preocupação, desconfiança ou tentativas de controle.
Nesse contexto, o grupo terapêutico pode oferecer algo diferente. Trata-se de um espaço de convivência construído especificamente para o cuidado, no qual o paciente pode falar sobre aquilo que está vivendo sem ocupar necessariamente os mesmos lugares e papéis que ocupa em sua vida familiar, profissional ou social. A escuta acontece dentro de uma proposta terapêutica, mediada por profissionais, em um ambiente que busca acolher as dificuldades sem reduzir a pessoa ao uso do álcool.
Essa diferença pode favorecer uma abertura que nem sempre é possível nos ciclos próximos. Questões que provocam vergonha, medo, culpa ou receio de decepcionar alguém podem encontrar no grupo um espaço mais seguro para serem compartilhadas. Ao perceber que outras pessoas também enfrentam dificuldades, o paciente pode encontrar referências para falar sobre experiências que antes permaneciam isoladas, silenciosas ou difíceis de compreender.
A convivência também permite observar a própria maneira de se relacionar. Escutar outras histórias, perceber diferentes pontos de vista, reconhecer-se em algumas experiências e diferenciar-se em outras podem ampliar a compreensão sobre comportamentos, escolhas e consequências. O grupo, portanto, não oferece apenas um lugar para falar sobre o alcoolismo, mas uma oportunidade para vivenciar novas formas de escuta, expressão, vínculo e responsabilização.
Essa responsabilização não significa culpabilizar o paciente pelo seu adoecimento. Significa ajudá-lo a reconhecer aquilo que pode ser compreendido, cuidado e transformado em sua própria trajetória, inclusive diante das consequências produzidas pelo uso do álcool.
O papel das oficinas terapêuticas no processo terapêutico do uso abusivo de álcool
As causas e as consequências do uso abusivo de álcool podem ser muito diversas e complexas. Em algumas histórias, o consumo está relacionado a conflitos, perdas, relações difíceis, sofrimento emocional, experiências traumáticas ou outras situações que foram se acumulando ao longo da vida. Ao mesmo tempo, o próprio alcoolismo pode produzir novos prejuízos, gerando culpa, vergonha, rompimentos, frustrações e outras experiências que também passam a fazer parte dessa história.
Diante dessa complexidade, nem sempre aquilo que precisa ser compreendido consegue ser acessado, organizado ou trabalhado por meio da fala direta. Existem experiências que permanecem difíceis de nomear, recordar ou compartilhar, especialmente quando estão associadas a situações dolorosas. É nesse ponto que as oficinas terapêuticas podem assumir uma função importante dentro do processo de cuidado.
Por meio de diferentes experiências corporais, expressivas, criativas e reflexivas, as oficinas podem oferecer caminhos alternativos para que determinados conteúdos encontrem uma forma de aparecer. Uma emoção pode surgir em uma produção artística, uma lembrança pode ser despertada por uma música, um sentimento pode ser percebido em uma experiência corporal ou uma questão relacionada à própria trajetória pode ser elaborada a partir de uma atividade proposta no grupo.
Isso não significa que a oficina tenha como objetivo necessariamente revelar ou interpretar aquilo que o paciente produz. O valor terapêutico também está na possibilidade de experimentar, sentir, criar, observar e construir sentidos a partir da própria experiência, respeitando o tempo e os limites de cada pessoa.
Nesse processo, algumas questões que seriam difíceis de abordar diretamente podem se tornar mais acessíveis por outros caminhos. A atividade oferece uma espécie de mediação entre o paciente e aquilo que está sendo vivido, permitindo que determinados sentimentos e experiências sejam percebidos e, posteriormente, trabalhados dentro do acompanhamento terapêutico.
As oficinas também podem favorecer a construção de uma relação diferente com a própria história. Ao encontrar novas formas de expressão e participação, o paciente pode acessar aspectos de si que ficaram pouco presentes durante períodos em que o álcool ocupava um espaço central em sua vida.
No Nappe, atividades como arteterapia, musicoterapia, práticas corporais, meditação, projeto de vida, oficina das emoções e outras vivências compõem esse espaço de cuidado. Elas não substituem o acompanhamento psiquiátrico e psicológico, mas ampliam as possibilidades do processo terapêutico, oferecendo diferentes caminhos para entrar em contato com experiências, sentimentos e desafios que nem sempre conseguem ser alcançados apenas pela palavra.
ORIENTAÇÕES PARA A
FAMÍLIA E REDE DE APOIO
Como os julgamentos sociais e familiares podem impactar o tratamento do alcoolismo?
O alcoolismo frequentemente é acompanhado por julgamentos que podem aumentar ainda mais o sofrimento de quem está vivenciando o problema. A pessoa pode ser chamada de irresponsável, fraca, inconsequente ou simplesmente orientada a “ter força de vontade”. Quando essas interpretações substituem a compreensão sobre o transtorno, podem produzir vergonha, culpa, ocultação do consumo e dificuldade para admitir que existe uma necessidade de ajuda.
Esse processo também pode afetar a própria família. Pessoas próximas podem se sentir frustradas, impotentes, decepcionadas ou cansadas diante de promessas que não se concretizam, conflitos que se repetem e consequências que vão se acumulando. Ao longo do tempo, a convivência pode passar a ser marcada por cobranças, desconfiança, discussões e tentativas de controlar o consumo. O estigma associado aos problemas relacionados ao álcool é reconhecido como uma barreira importante para a busca e a continuidade do tratamento.
Como abordar de forma assertiva?
Lidar com essa dificuldade não significa ignorar os prejuízos provocados pelo álcool, mas encontrar maneiras mais cuidadosas e efetivas de enfrentá-los. Para familiares e amigos, pode ser importante escolher momentos em que a pessoa esteja em condições de conversar, falar sobre preocupações concretas em vez de fazer acusações e demonstrar disponibilidade para ajudar na busca por atendimento. Também é necessário estabelecer limites claros diante de comportamentos que produzam sofrimento ou coloquem outras pessoas em risco.
A pessoa que convive com o alcoolismo não deve ser reduzida ao seu consumo, mas também precisa ser responsabilizada pela construção do próprio tratamento. O apoio daqueles que estão próximos pode favorecer esse processo, mas não substitui o acompanhamento profissional e não significa que familiares e amigos precisem assumir sozinhos a responsabilidade pela mudança.
Para quem está próximo, iniciar essa conversa pode ser difícil. É comum existir receio de provocar uma reação negativa, ouvir uma negativa ou iniciar mais um conflito. Ainda assim, evitar completamente o assunto também pode contribuir para a manutenção do problema. Uma conversa pode começar pelo que está sendo observado, sem transformar o diálogo em uma acusação: mudanças na rotina, conflitos, faltas ao trabalho, dificuldades financeiras, alterações de comportamento ou tentativas frustradas de reduzir o consumo.
Também pode ser importante oferecer uma ajuda concreta. Acompanhar a pessoa até uma avaliação, procurar informações sobre possibilidades de tratamento ou simplesmente se colocar disponível para que ela possa falar sobre o que está vivendo são formas de transformar a preocupação em cuidado.
Buscar ajuda não exige que o paciente já esteja preparado para resolver tudo. O primeiro contato com um profissional pode justamente servir para compreender melhor a situação, avaliar a gravidade do uso e identificar quais formas de tratamento fazem sentido para aquela pessoa. A avaliação deve considerar a frequência e o padrão de consumo, os prejuízos associados, a saúde física e mental, a presença de outros quadros e as condições sociais e familiares envolvidas.









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