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Transtorno bipolar: O que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Foto do escritor: nappesite
nappesite
há 11 minutos
7 min de leitura


O que é o transtorno bipolar?


O CID 10 - Classificação Internacional de Saúde -  categoriza o transtorno bipolar como “transtorno de humor ou transtorno afetivo”. A bipolaridade é uma doença que causa periódicas alterações de humor trazendo sofrimento intenso para o paciente e sua família, afetando o equilíbrio emocional caracterizado pela alternância de períodos de tristeza ou depressão e episódios de euforia ou mania. Tais sintomas se intercalam provocando desequilíbrios e tensões nos indivíduos que sofrem com o transtorno. 


É necessário salientar que temos dias melhores e outros difíceis, provocando naturalmente uma resposta no nosso humor, o que não condiz com o que entendemos por bipolaridade. Para a pessoa que tem bipolaridade essa frequência na alteração do humor se apresenta de maneira bastante potente e sem uma justificativa plausível.


Sintomas do transtorno bipolar:


A bipolaridade se apresenta pela intensidade dos sintomas e pelas alterações importantes no humor e no comportamento que a pessoa pode vivenciar.

Durante os episódios de mania, podem ser observados:


  • Agitação psicomotora exacerbada

  • Comportamentos de risco

  • Desorganização financeira e gastos excessivos

  • Aceleração da fala

  • Fuga de ideias

  • Redução da necessidade de sono

  • Sexualidade exacerbada

  • Ideias fantasiosas

  • Impulsividade

  • Elevação da autoestima


Durante os episódios depressivos, podem ser observados:

  • Anedonia, com perda do interesse ou da capacidade de sentir prazer

  • Alterações do sono, inclusive insônia

  • Exaustão e fadiga

  • Sentimentos de inutilidade

  • Sentimentos de culpa relacionados às próprias ações e aos prejuízos decorrentes do período de mania

  • Tristeza intensa

  • Angústia

  • Choro frequente

  • Pensamentos relacionados à morte


A intensidade desses sintomas pode provocar prejuízos importantes em diferentes áreas da vida e, em situações mais graves, expor o paciente a risco de morte.


Diagnóstico:


O diagnóstico do transtorno bipolar é clínico devendo ser acompanhado sistematicamente pelo médico psiquiatra e o profissional de psicologia que através da escuta especializada vai conhecer a história de vida do paciente e vai observar e avaliar sinais e sintomas trazidos pelo paciente e por sua família.


Segundo o CID 10 - o transtorno afetivo bipolar é caracterizado por ao menos dois episódios repetidos nos quais o humor e os níveis de atividade do paciente estão significativamente perturbados. 


Se faz necessário ainda, compreender que outros quadros dentro da saúde mental podem ter sintomas próprios que em uma análise mais superficial, podem motivar uma suspeita ao diagnóstico do transtorno bipolar, contudo, os sintomas devem ser analisados levando em conta o contexto de vida e situacional do paciente, assim como a história de vida e aspectos individuais, através de um entendimento sistemático e tecnicamente orientado. 


O diagnóstico, quando feito da maneira correta, é sim um passo importante na construção terapêutica, e é legítimo que compreender melhor o que se passa pode ser importante, mas o processo de autocuidado também envolve outros pontos para além da necessidade de fechar um diagnóstico.


É imprescindível, portanto, que o diagnóstico seja realizado pelo profissional capacitado para isso, evitando o dano de um diagnóstico incorreto e consequentemente o uso da medicação equivocada.


O transtorno bipolar pode originar outros quadros de adoecimento?


Todos os quadros de saúde mental podem, em algum momento e em alguma medida, estar associados ao surgimento de novas dificuldades ao longo da vida do paciente. Isso não significa necessariamente que um transtorno provoque diretamente outro, mas que os próprios sintomas, os comportamentos associados a eles e os prejuízos produzidos pela doença podem gerar novas fontes de sofrimento e favorecer o aparecimento ou agravamento de outras condições que precisam ser avaliadas e tratadas de maneira específica.


No contexto do transtorno bipolar, isso pode ser observado especialmente durante os episódios de mania e hipomania. Nesses períodos, o aumento da energia e da impulsividade, a redução da percepção dos riscos, a aceleração do pensamento e a elevação da autoestima podem levar o paciente a comportamentos que não fazem parte de sua maneira habitual de agir, como sexualidade exacerbada, consumo de álcool e outras substâncias, excesso de compras e gastos, tomada de decisões impulsivas e exposição a diferentes situações de risco. Embora esses comportamentos possam estar relacionados diretamente à alteração do humor naquele momento, suas consequências podem permanecer mesmo após o encerramento do episódio.


Uma dívida contraída durante um período de mania, um conflito familiar, o rompimento de um relacionamento, uma situação de exposição, um prejuízo profissional ou a intensificação do consumo de álcool e outras substâncias podem permanecer presentes quando o humor já estiver estabilizado. Com isso, aquilo que inicialmente se manifestava como parte de um episódio de mania ou hipomania pode passar a constituir um novo desafio na vida do paciente. O uso de álcool ou outras substâncias, por exemplo, pode ter sido inicialmente favorecido pela impulsividade daquele período e, posteriormente, desenvolver novos comportamentos e consequências, deixando de estar relacionado exclusivamente à alteração do humor.


Esses prejuízos também podem produzir novas cargas de sofrimento psíquico. Ao se deparar com as consequências de suas escolhas e comportamentos, o paciente pode vivenciar culpa, vergonha, medo, arrependimento, frustração, sensação de perda e luto por relações, oportunidades ou aspectos de sua vida que foram comprometidos. O esforço necessário para reorganizar a própria rotina e reparar os prejuízos também pode provocar cansaço emocional e desesperança. Em determinadas situações, esse conjunto de experiências pode contribuir para o surgimento ou agravamento de sintomas depressivos e ansiosos, além de favorecer comportamentos de isolamento, evitação ou uso de substâncias como tentativa de lidar com o sofrimento.


É importante, entretanto, compreender que essa relação não é automática. Nem todo comportamento apresentado durante um episódio de mania ou hipomania dará origem a um novo transtorno, assim como nem todo quadro de ansiedade, depressão ou uso problemático de substâncias apresentado por uma pessoa com transtorno bipolar será necessariamente provocado pela bipolaridade. Cada situação precisa ser analisada a partir da história de vida do paciente, do contexto em que os sintomas surgiram, da relação entre os diferentes comportamentos e das condições que podem estar contribuindo para a manutenção do sofrimento.


Por isso, o acompanhamento do paciente com transtorno bipolar precisa considerar não apenas a estabilização do humor, mas também os efeitos que os episódios provocaram em sua vida pessoal, familiar, afetiva, profissional e financeira. Identificar essas dificuldades e compreender de que maneira elas se relacionam permite que cada problema receba o cuidado adequado, evitando que diferentes manifestações sejam tratadas como se fossem apenas parte da bipolaridade. Um acompanhamento sistemático, realizado pelos profissionais indicados, possibilita trabalhar tanto os sintomas do transtorno quanto os novos sofrimentos e prejuízos que possam ter surgido ao longo de sua evolução.



Tratamento: 


O tratamento para o Tab consiste no acompanhamento pelo médico psiquiátrico que vai orientar acerca da medicação necessária em conjunto com o processo terapêutico psicológico, que pode  aplacar as angústias causadas pelas oscilações e suas consequências que  muitas vezes impactam a qualidade na vida e as interações do indivíduo. É extremamente danoso fazer automedicação sem o acompanhamento devido.


Ao trazer à tona o tema da bipolaridade precisamos compreender/aprofundar sobre os impactos que o transtorno pode causar na vida  social do paciente se não for bem tratado. Comportamentos extremistas como paixões súbitas,  ódio repentino, raiva desmedida, tristeza profunda, alegria excessiva, impulsividade ocasionando excesso de compras ou uso abusivo de bebidas - muitas vezes acarretando prejuízos financeiros e nas relações famíliares, “sinceridade” abusiva, impulsividade, retraimento social após situações de euforia, exposição a situações de risco sexual, uso abusivo de substâncias, sentimentos de culpa, vergonha, pensamentos negativos e de menos valia são sintomas que o indivíduo com bipolaridade pode apresentar e prejudicar sua convivência nos meios sociais.


Negar ou evitar o tratamento, muitas vezes ocasiona dificuldade de manter-se no emprego, na manutenção das amizades e nos vínculos familiares, pois a cada manifestação dos sintomas descritos, no decorrer do tempo, as relações vão se fragilizando. E por vezes, a falta de conhecimento da doença no meio social cria estereótipos, preconceitos e evitação relacionada ao indivíduo com o transtorno bipolar. 


Diante do acompanhamento do paciente com bipolaridade, ao conhecer sua história de vida, por vezes, percebe-se que a bipolaridade já se apresentava na infância ou na adolescência. A criança ou adolescente dito “birrento”, “mal criado”, “irritado”, pode estar apresentando sintomas de bipolaridade sendo necessário o encaminhado para o profissional indicado - importante ressaltar que é imprescindível verificar outras possibilidades de adoecimento e não definir diagnósticos prévios sem o acompanhamento serio necessário.


Enfim, é possível para a pessoa que foi diagnosticada com o transtorno bipolar, ter uma vida tranquila, uma boa convivência social, profissional  e familiar?


Afirmamos que sim! É possível conseguir controlar a impulsividade e seus percalços, manter-se com humor estável, ter o controle de sua vida. Quando o paciente aceita e entende que a bipolaridade é uma doença e que pode e deve ser tratada pelo profissional adequado, e procura cuidar de sua saúde mental, revendo preconceitos e estereótipos, é viável e um direito de todos, ter uma vida feliz!


O Nappe acolhe quadros de bipolaridade, depressão, ansiedade, vícios e outros há mais de 33 anos em Recife, através de mais de 20 planos de saúde, contando com assistência psiquiátrica e psicológica.


Atuamos em uma proposta terapêutica integrativa e de convivência, onde a partir da troca, rede de apoio e construção conjunta da caminhada terapêutica, cada pessoa tem a oportunidade de olhar sua história com mais cuidado, afeto e segurança.


No acompanhamento em hospital dia do Nappe, em conjunto com as consultas psiquiátricas e grupos terapêuticos conduzidos por psicólogas de referência, as práticas integrativas complementares assumem um papel de grande importância no tratamento do transtorno bipolar, permitindo o contato com as dores, desafios e história de vida que por muito tempo foram difíceis  de serem acessadas ou compreendidas de uma forma mais profunda e acolhedora.


O espaço conta com diversas atividades acontecendo de segunda à sexta, das 08h às 16h, e o início se dá a partir de uma triagem psicológica e consulta psiquiátrica, onde avaliamos de que forma o acompanhamento pode ser indicado. Havendo indicação, sendo pelo plano de saúde, a solicitação é feita diretamente ao convênio pelo Nappe, e após a autorização, o paciente tem seu início no espaço Bem-Estar.


Oficinas terapêuticas do Nappe


Atividades corporais


  • Yoga terapêutico

  • Bioenergética

  • Pilate

  • Tai Chi Chuan

  • Biodança

  • Auriculoterapia

Atividades expressivas


  • Musicoterapia

  • Arteterapia

  • Projeto de vida

  • Cineclube

  • Oficina dos sonhos

  • Tenda do conto

  • Audiovisual

  • Oficina da palavra

  • Teatro

Cada atividade trabalha sentimentos, emoções e desafios que nem sempre podem ser expressados apenas através da fala. Por meio de diferentes vivências, promovemos o equilíbrio entre mente e corpo e buscamos por estratégias de entendimento de nossa própria história e singularidades, assim como novos meios de relacionamento com nossas dores e relações.


Como iniciar o acompanhamento no Hospital-Dia Nappe?


O primeiro passo é agendar uma triagem psicológica e um atendimento psiquiátrico, que permitirão avaliar a necessidade de ingresso no Hospital-Dia. No Nappe, esses atendimentos podem ser realizados através dos seguintes planos de saúde:


Amil, Saúde Recife, Bradesco, Stellantis, Saúde Caixa, Sulamérica, Postal Saúde, Petrobrás, TRT, Fachesf, Luminar, Fisco, Bacen, Capesesp, Assefaz, Cassi, Fusex, Plan Assiste, Serpro, Sassepe, Medprev.


 
 

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